17 de março de 2016

Mas eu vou ficar aqui,eu vou estar aqui. . . .

Fim de festa. Alguns jovens jogados em meio ao gramado, garrafas vazias junto a eles. Menos uma jovem, ela esta bem lúcida, com seus fones, e sentada na grama, olhando para longe, como se não estivesse nada ali, em sua frente. “Here we are,and I can’t think from all the pills ….” Ela canta baixinho, só para si mesma.
-“Hey, start the car and take me home.” Eu conheço essa música.
Ela se assusta com a pessoa ao seu lado. Em sua concentração na música, ela acaba não percebendo a aproximação de um garoto. Ele esta sentado ao seu lado, olhando para ela.
- Legal, bom saber que alguém por aqui, - ela mostra os jovens jogados em meio a grama - tem alguém com algum senso de cultura.
- Ainda existe esperança na humanidade então, não é?- ele sorri - Meu nome é Kaique. E o seu é?
- Ninguém.
-Ninguém? - ele se assusta - Como alguém poderia se chamar ninguém?
- Simples - ela olha fundo em seus olhos - Chamando. Ou melhor, não chamando. Ninguém chama ninguém, entendeu?
-Talvez. - ele suspira - Mas então, você gosta dessa música?
Ela o olha, sem acreditar que ele a perguntou isso.
- Se eu não gostasse, não estaria cantando não é?
De repente, ela se arrepende de ter falado com ele assim. Ele esta sendo tão educado. “ Esquece Amanda, ninguém é bom assim atoa” ela pensa. Ela então volta a olhar o horizonte, tentando se esquecer que aquele estranho garoto esta ao seu lado
-“Do you understand who I am,do you wanna know….”
Ele continua cantando, talvez esteja tentando chamar a atenção dela. Mas quem sabe? Ela porém se irrita e tenta terminar com aquela conversa, que na opinião dela, nem deveria ter começado .
- Olha aqui garoto, Kaique.- ela se levanta - Para de cantar, para de tentar torrar a minha paciência. Eu não quero papo, não quero conversa. Só quero ficar sozinha, ok? OK. “I’m too numb to feel right now”
O garoto não diz nada, apenas continua olhando para aquela estranha garota. E Amanda olha de volta. Parecia ter 17 para 18 anos. Cabelos loiros médios, bagunçados e descuidados, vestia uma blusa dos Beatles e calça jeans. Como disse ele aparentava pouca idade. Mas seus olhos… seus olhos eram de quem já viveu muito nessa vida. Eram cansados mas não tristes, tinham uma calma e paciência de quem sabia esperar algo por muito tempo, sem se preocupar com o amanha.
- Será da pra parar de me encarar? - disse com certa raiva – E agora, ta rindo do que?
-De você. Do seu jeito durão por fora.
- Olha aqui,você não me conhece, não sabe nada.- ela se levanta – E se me da licença, vou embora.
Ele a parou e segura sua mão, ainda mais misterioso e calmo do que aparentava.
- Amanda, isso não importa, se eu te conheço ou não. Não ligo se você entrou nessa casa sem querer. Não sei se você é uma pessoa de bem, ou uma louca varrida. A única coisa que eu sei, é que qualquer pessoa merece alguém que cuide dela. Não importa quem.
Ele meche com o cabelo dela, nas varias mechas coloridas, quero dizer. Ele passa a mão pelo rosto dela, mas não com malícia esperada, e sim como se quisesse descobrir os segredos que haviam por debaixo de toda aquela maquiagem escura e piercings. Ele para na sua frente e a olha nos olhos.
- Não adianta bancar a durona, eu não vou sair daqui.
- Eu não estou tentando nada. . . – ela começa
-Calada viu? Silêncio. Estou olhando pra você e te ouvindo sem que você fale. E sabe o que estou ouvindo? Estou escutando que você mente. Você mente quando diz que não sente mais nada. Que você sofre quando tenta fazer as pessoas se afastarem, e consegue isso. Olha pra você. Sentada sozinha, com olhos inchados de tanto chorar, e nem tente virar o rosto. Você pode mentir para mim, para as pessoas, até para você mesma. Mas para o seu coração… bem, pra ele você não pode. - ele a olha em seus olhos, segura sua mão- Mas eu vou ficar aqui. Eu vou estar aqui. “ Just tonight I will stay and we’ll throw it all away, when the light hits your eyes it’s telling me I’m right. And if I, I am through it’s all because of you, just tonight.”

18 de fevereiro de 2016

Você pode transformar o céu mais azul, em cinza.

   
   

   Eu não sei o que te dizer, não queria passar a vergonha de te mostrar o que eu realmente sinto por você e você não sentir o mesmo. Eu juro que ultimamente eu só tenho pensado em você, por mais que eu não quisesse, e mesmo sendo errado(…) Eu não tive culpa de ter despertado esse sentimento, aliás se alguém tem culpa aqui, esse alguém é você. Sim você, por ser incrivelmente perfeito e gentil, por colocar um sorriso no meu rosto a cada dia que passa, por me mostrar o que eu ainda não tinha sido capaz de descobrir sozinha. Desde o primeiro “oi” que você deu, desde aquele dia você roubou um pedaço de mim e ficou com ele. Mas – droga ! – Você sabe disso né? Sabe que esse pedaço meu esta com você né? Sabe que no lugar de onde tu tirou esse pedaço, esta um buraco , um buraco fundo, que cresce a cada dia mais. 
   E como anda sua vida? Vazia…. Não? Bem, a minha esta. A minha esta como aquele vidro que cobria suas janelas, em seu apartamento pequeno, minha vida esta suja, transparente e sem nenhum reflexo. Se conseguir ver algo por ela será por pura sorte, será por puro acaso. Tá difícil de ver algo além do embaço que ficou grudado na alma, ele tampa, corrói, acaba com qualquer luz que tenta atravessar meu simples ser. Mas não, não comecei a escrever neste papel para me lamentar, longe disso. Também não vim te desejar feliz aniversário. Na verdade eu gostaria que você existisse para mim, queria que você sumisse da minha mente por algumas horas, que seja. Eu poderia dizer que sinto sua falta… mas soaria clichê, na verdade, eu não sinto sua falta, sinto falta de esquecer você. Desde o dia em que você se foi, desde o dia em que o “nós” acabou, minha mente virou algo embaralhado, não sei mais aonde estou, quem sou, nem mesmo o que sinto. Você também se sente assim? Sinto como se o mundo fosse desabar aos meus pés a qualquer instante e você não iria segurar minha mão, como antes. Acho que neste local que estamos, você iria rir, iria sorrir ao ver meu desastre, ao ver como não vivo sem você… Mas por que? Por que teve que terminar assim? Eu falei, eu repeti, eu quis, quis mudar. E eu teria mudado, mas você não disse nada.
   Ê silêncio, e você rondando mais um vez a minha vida não é? Por que tu me persegues assim? Me diga,não há mais algumas pessoas que você queira deixar no silêncio além de mim? Estou ficando louca? Falando sozinha com o silêncio, ha, o silêncio não fala não é mesmo meu querido? Igual a você. Você… Você é frio, é escuro, vazio, e como diria aquela musica, “você pode transformar o céu mais azul em cinza.” . Tá ai, gostei, isso te define bem. Você é o cinza, o cinza que pintou o meu céu, o cinza que escureceu o meu céu, o meu ser.
   Ei, eu te disse que a culpa era sua? Desculpa, mas a culpa é minha. Sabe por que? Por que eu me deixei levar mais uma vez . A minha cabeça disse : “ para, não faz isso, você vai se ferrar mais uma vez. ” Mas não, eu fui seguir a droga da voz do coração. Isso me da uma raiva .Uma raiva de mim, de você, de nós. E me faça um último favor, sabe essa ai que esta com você agora, da um recado meu pra ela? Fale com ela que eu nunca desejaria para alguém se sentir do jeito que eu me sinto. Que eu nunca desejaria você a alguém.

20 de outubro de 2015

Se as pessoas fossem chuva...




Oi licença, posso me sentar? Vou te contar uma história mas juro que é curta, é o tempo de um gole de um refrigerante.
É sobre uma menina que é difícil de ser amada.

14 de outubro de 2015

Com ele, com ela,com nós.


28-06-2015
- Alô?
-Amanda?
- Sim, quem é?
- Sou eu, Kaique....- ele respira -  Como você está?
-Estou o.k. Precisa de algo?
-Não, é que você sumiu, me preocupei.
-Não precisa. Estou bem... A gente pode se falar mais tarde? Tô de saida..
-Claro, claro. Me liga mais tarde então. Beijos, se cuida.
-Tchau.
Nem ao menos ele teve tempo de tirar o telefone do ouvido, e o sinal de linha ocupada começou. Ele não entendia. Para ele estava tudo tranquilo ligar para ela, se passaram três meses, e além do mais, por mensagens eles conversavam normalmente, então por que essa secura ao telefone? "Mulheres, não entendo e nunca vou entender, só fiquei preocupado, poxa".
"Idiota, burra, por que tratou ele assim? " Amanda se remoía.  Mas afinal, por que ele ligou? Se ela não procurou conversa durante esses dois dias, é por que ela não quer conversa. E não, não venha para ela com esse papo de " amigos". Ela nunca o enxergaria apenas como amigos. Mas quem sabe com o tempo ele entenderia.
 28-07-2015
-O que você quer, caramba?
-Epa, epa. Em primeiro lugar, isso é uma festa, entra quem quer. E em segundo, você é minha amiga, não é isso que disse que seriamos?
Amanda segura o copo de bebida na mão, e olha para o teto da festa. Deseja mais que tudo se fundir as paredes daquele banheiro. Por que Kaique, simplesmente não a tratava mal, ou a ignorava? Seria mais fácil, ela teria um motivo para odiá-lo. Mas não, ele era educado, era polido, e ainda queria o bem dela.
-Amanda, eu tô falando com você. Dá pra me escutar?
-Não porra, não quero te escutar. 
-O que aconteceu, doida. Nós não estávamos ok?
- Nunca estivemos ok. Você esteve ok. Eu estive ok, mas o nós, nunca esteve. Você não entende? - ela altera a voz -Eu fico triste, eu tento voltar o que era antes, mas não consigo. É triste porque, em pequenos lapsos de memória, penso em te mandar uma mensagem. Na verdade, penso que a gente está bem, como éramos. Mas não estamos. Eu queria tanto, tanto, tanto te bater. Queria tanto jogar na tua cara o quão estúpido você é.
- Não entendo, te vejo saindo, rindo, brincando com seus amigos. O que diabos eu fiz de errado, além de dar seu espaço, e esperar você falar que tava tudo certo? - ele poe a mão na cabeça - Por que se eu me lembro bem, quem me disse que estava tranquila com relação a nós, foi você.
-Eu sei, eu sei ta bom. Mas eu menti, menti pra mim mesma. Nem eu me entendo. Eu penso que quando te ver, não vou sentir nada, mas eu sinto. Mas se eu não entendo, não é você que vai entender. Mas deixa pra lá. Uma hora essa sensação ruim passa e eu volto a ser normal.
E dizendo isso ela começa a andar em direção ao palco. Ela quer fugir como sempre fugiu, como fugiu da verdade latente da sua cabeça.

28 - 12 - 2015 

- Quer sentar?
- Claro - ela diz, após uma pausa, e depois passa por Kaique pra chegar ao sofá, o cheiro dela invadindo seu espaço e trazendo um milhão de memórias com ele.
Ninguém fala nada por um momento, e de repente os dois começam a falar ao mesmo tempo, e então começam a rir nervosamente.
-É bom te encontrar, mesmo que não seja na melhor das situações....- E antes que ela consiga falar algo, alguém invade o café noturno como se procurasse algo, e encontra o que buscava. Era Amanda.
- Que bom que te encontrei - O estranho a beija -  Pensei que fosse me atrasar  mais - ele sorri -  Vamos?
É um cara, na faixa dos seus vinte e tantos anos, alto, cabelos grandes e olhos verdes. Ele se dirige uma vez para Kaique, e lhe estende a mão, e se volta novamente a Amanda.
- Você pode esperar um pouco? - Amanda diz a ele -  não vai demorar.
O estranho demora um pouco a voltar a olhar para Kaique e em seguida olha para ela, e a expressão dela de quem se desculpa. Mas não fala nada e se afasta.
- Então - Kaique ri -  Seu novo namorado, não terá problemas com a nossa conversa?
- Não, ele entende o que preciso falar.
- E o que seria essa conversa? Tão preciosa?
Ela suspira, sempre detestou conversas sérias, e detestava ainda mais pedir desculpas de algo que ela realmente estava errada.
- Sei que o natal já passou, já recebeu seus presentes, seus abraços e todas aquelas felicitações dessa época feliz. Só vim te aqui para falar, falar o que eu penso, te dizer o quanto eu fui errada em te enganar que estava tudo ok. Eu juro, que tentei esquecer. A gente finge que esquece, finge que deixou pra lá, finge que não tem tanta importância ou que não foi nada demais. A gente deixa nosso orgulho e nossas vontades de lado. Se anula. Se entrega. Faz malabarismo. Tudo isso pra ter a companhia de alguém. Tudo isso por sentir que, por essa pessoa, vale o risco, o trabalho e até a queda. Por que você valia a pena, valia e vale a pena. Mas depois, depois disso tudo, sobra só lembranças, embaralhadas, perdidas e que a cada dia, ficam confusas e mais confusas. Eu me lembro que queria te odiar, Kaique, queria te culpar por tudo de ruim, mas sabe a verdade? Ninguém tem controle absoluto sobre a felicidade de ninguém,o outro nunca teria o poder te ferir se você não deixasse isso acontecer, a gente é que se permite machucar. E isso é uma lição, não me entenda mal, ser machucada por você seria o maior dos privilégios, mas  agora, o que eu penso, é que todas as minhas dores, e problemas são intransferíveis, e carregar mágoas e apontar culpados é andar em círculos, num loop eterno. Então, quero que você entenda, eu não te odeio,nunca poderia odiar, mas também não te amo mais. Mas aprendi a ser só, Sou alegre, me divirto e saio com meus amigos. Mas não dependo disso, da alegria meio forçada, dessas pessoas, desses lugares, de ninguém. Sei ser só e gosto de ser só. Sei ser minha e gosto de ser minha. E só aprendi a ser minha, graças a você. Então esse é um pedido de desculpas e um agradecimento. Desculpas por bancar a louca, a dramática,a difícil quando você só queria facilitar as coisas.E obrigada, obrigada por me ajudar a entender que nem tudo é como nos pensamos,e nem como queremos, mas como precisamos. 
Nisso, Amanda se levanta, se dirige a ele e lhe dá um abraço, de despedida e de carinho, e dispara pela porta afora,aonde alguém a espera. Kaique atônito com tudo só consegue pensar em quão mais sensacional aquela garota se tornou. E quão agradecido ele esta, por tudo estar em paz. Com ele, com ela,com nós.